Saúde Preventiva e o Novembro Azul

No mês de Novembro é realizado um movimento mundial de conscientização relacionado às doenças masculinas: o Novembro Azul. O movimento, que teve início na Austrália, em 2003, tem como principal objetivo, a partir de uma observação histórica, incentivar os homens a se consultar com um médico. A campanha possui ênfase na prevenção e diagnóstico do câncer de próstata, e esse artigo visa ampliar essa discussão e tratar da importância do hábito de manter cuidados preventivos na saúde do homem.

O que é a saúde preventiva?

O tratamento médico tradicional tem como objetivo a melhoria da saúde por meio da identificação e intervenção nos problemas que já tenham gerado sintomas ou complicações. Por outro lado, a saúde preventiva foca na prevenção de adversidades na saúde que possam ocorrer. O tratamento preventivo também tem como finalidade encontrar o diagnóstico dos problemas antes dos sintomas ou das  complicações surgirem, o que torna as chances de recuperação maiores. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1946, definiu a saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade. O propósito geral da prevenção é reduzir a probabilidade de doença, incapacidade ou a entrada no estado final de vida prematuramente.

Alguns fatores de risco estão além do controle pessoal, como idade, sexo e histórico familiar. Outras características, incluindo um estilo de vida e ambiente social e físico, podem ser alterados e potencialmente reduzir o risco do desenvolvimento de distúrbios. Além disso, o problema pode ser reduzido através da adesão ao tratamento.

A saúde preventiva do homem

Como diz o ditado “Prevenir é melhor que remediar” , o mesmo pode ser observado na prevenção do homem em relação à sua saúde. Ela está crescendo aos poucos e de forma contínua. 

A partir de dados obtidos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB) e da Atenção Primária à Saúde (APS), elaboramos o gráfico abaixo no qual podemos observar um pequeno crescimento na procura por prevenção, pelos homens, com o passar dos anos. A faixa etária analisada foi para o sexo masculino entre faixa de 20 a 59 anos. 

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Podemos também ver que algo positivo vem ocorrendo com a população masculina. Foi realizada uma pesquisa em 2019, que mapeou as percepções e os cuidados com a saúde entre 2.405 brasileiros e mostra a forma como eles lidam com problemas, como câncer de próstata e doenças do coração. A pesquisa abordou homens na faixa etária entre 29 e 60 anos.

 Apresentamos aqui uma resposta da pesquisa:

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Fonte: Revista Saúde

Outra informação que podemos obter da mesma pesquisa é que 77% dos entrevistados visitam o médico de maneira mais frequente do que seu pais quando na mesma idade. Apesar desse avanço, os dados ainda estão longe do considerado ideal, visto que apenas 52% afirmaram visitar o médico de maneira frequente, ou seja, uma ou mais vezes ao ano. Outros 30% admitiram visitar o médico apenas quando se sentem mal ou não visitam.

Entre os fatores relevantes citados, como dificuldade para frequentar o médico com maior regularidade, 42% dos respondentes apontaram o preço das consultas e 36% alegaram a falta de horário na agenda dos médicos nos postos de saúde do SUS como uma dificuldade. Esses são fortes indicadores que intensificam a necessidade de democratizar ainda mais o acesso à saúde no Brasil, evidenciando que o fator financeiro continua a ser uma barreira. 

Para além desses elementos, são citados: crença de que não há razão para ir ao médico quando se sente bem, falta de tempo, horários médicos que não se encaixam com a agenda pessoal, impossibilidade de se ausentar do trabalho, entre outros. Essas respostas sugerem que a saúde ainda precisa tomar lugar de protagonismo na vida dos homens.

Em um artigo¹ publicado em 2013, na revista de enfermagem Esc. Anna Nery, buscou-se compreender motivos para a não procura de atendimento em unidade básica pela população masculina. As conclusões vão ao encontro dos dados encontrados pela revista Saúde, trazendo problemas como incompatibilidade de horários, número insuficiente de fichas, falta de especialistas e alegações de que se sentiam saudáveis, por isso frequentam pouco o serviço de saúde.

Para além de visitas ao médico frequentes, a adoção de hábitos e cuidados preventivos do homem no cotidiano são de suma importância para uma vida saudável. Com base na pesquisa realizada pela revista Saúde, os homens aparentam ter conhecimento desses fatores, como a prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada, dormir bem, controlar o estresse, não fumar e não consumir bebidas alcóolicas em excesso. 

Entretanto, quando perguntados sobre a adoção de tais cuidados, o cenário ficou aquém do ideal. Mais de 80% afirmaram se exceder em açúcar, gordura, sal ou industrializados, quase metade dos entrevistados admitiram estar acima do peso ideal e 29% afirmaram não praticar exercícios físicos regularmente. Sendo assim, um dos pontos a serem trabalhados é incentivar a adoção dessas práticas e cuidados, já conhecidos, no cotidiano masculino, como pequenas mudanças de hábitos.

Outro fator de preocupação encontrado na pesquisa é o cuidado com a saúde mental do homem. Quando perguntados sobre o maior desafio para ter uma vida saudável hoje, 33% dos homens apontaram estar bem emocionalmente. Mais da metade dos homens afirmaram já ter sofrido ansiedade, preocupação com temas familiares/afetivos, preocupações financeiras excessivas, estresse e desânimo. Outros fatores psicológicos também importantes foram apontados, como depressão, tristeza e pânico. Nós, do Health Lake, tratamos da importância da saúde psicológica no artigo Setembro Amarelo - a valorização da vida.

Não importa em qual país você esteja, as mulheres geralmente vivem mais do que os homens. Segundo a OMS, no artigo “Para que serve a Medicina de 2016”, a média das expectativas de vida ao nascer da população mundial era de 74 anos para mulheres e de 69 anos para homens.

 

Já de acordo com o último dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida entre os homens é de 73,1 anos e entre as mulheres 80,1 anos. Para mais detalhes, acesse a matéria Expectativa de vida do brasileiro já diminuiu em mais de 3 anos com covid.

 

Mas afinal, porque existe essa diferença entre a expectativa de vida do homem e da mulher ? Segundo a ciência, há três principais razões, conforme informações apresentadas na seção Ciência e Saúde do site G1.

 

1. Genética

Uma das principais hipóteses para essa diferença é a questão genética. "Os embriões masculinos morrem em um ritmo maior que os embriões femininos", explica o professor David Gems, do University College London.

 

2. Hormônios

Durante a adolescência, as crianças passam pela puberdade (o amadurecimento sexual) por causa das mudanças na produção de hormônios. 

O estrogênio, o hormônio sexual feminino, atua como "antioxidante" no corpo, impedindo o envelhecimento das células.

 

3. Ocupação e comportamento

O incentivo cultural para que homens se comportem de maneira mais violenta e arriscada do que as mulheres também têm um peso na expectativa de vida menor, segundo os especialistas. 

 

"A queda no consumo de álcool e tabaco tem beneficiado majoritariamente os homens, que tendem a beber e fumar mais que as mulheres", disse o professor de estatística Les Mayhew ao jornal britânico The Guardian.

 

De acordo com o MANUAL MSD Versão Saúde existem muitas ferramentas de prevenção, citamos algumas das principais:

  • Levar um estilo de vida saudável, que inclui hábitos como usar o cinto de segurança, ter uma dieta saudável, realizar exercício físico suficiente, usar protetor solar e não fumar;

  • Estar vacinado para evitar doenças infecciosas, como gripe, pneumonia pneumocócica e infecções da infância;

Podemos citar a Vacina Tríplice Viral que protege contra Sarampo, Caxumba e Rubéola e a vacina contra o Covid-19;

  • Seguir recomendações de triagens, de modo que distúrbios como hipertensão arterial e câncer sejam detectados precocemente;

  • Se as pessoas estiverem em risco elevado de desenvolver certos distúrbios, como aterosclerose, ou se apresentarem tal distúrbio; administrar medicamentos da forma recomendada para evitar que o distúrbio se desenvolva ou piore (tratamento farmacológico preventivo, também conhecido como quimioprevenção).

Já os cuidados uma vida saudável, segundo o mesmo site, seriam :

  • Estilo de vida saudável;

  • Hábitos alimentares adequados;

  • Atividade física e exercício;

  • Parar de fumar;

  • Práticas sexuais saudáveis;

  • Limitação do uso de álcool;

  • Prevenção de lesão;

  • Sono adequado, entre outros.

Assim, a prevenção da saúde é uma forma que pode trazer uma vida saudável, tanto para homens como para mulheres e por muito tempo.

Referências

  1. Vieira KLD, Gomes VLO, Borba MR, Costa CFS. Atendimento de saúde à população masculina. Esc Anna Nery (impr.)2013 jan -mar; 17 (1):120 - 127

  2. UM NOVO OLHAR PARA A SAÚDE DO HOMEM. [S. l.]: Revista Saúde, ago. 2019. Acesso em: 11 nov. 2021; Disponível em: https://portaldaurologia.org.br/medicos/wp-content/uploads/2019/08/book_saúde-do-homem.pdf 

  3. LENARTOWICZ, Magda. Ferramentas de prevenção. Los Angeles: MANUAL MSD Versão Saúde para a Família, 1 out. 2020. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/fundamentos/prevenção/ferramentas-de-prevenção